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P2P and the human evolution: peer to peer as the premise of a new mode of civilization

 

Autor – Michael Bauwens

Publicação – março de 2005

Introdução

O texto de Michael Bauwens é fundalmentalmente uma análise sociológica de um fenômeno visto como puramente tecnológico. Nesse sentido, se trata de uma contribuição importante para aqueles que querem entender as possíveis consequências sociais das novas tecnologías de comunicação e informação. Se trata ainda de material não publicado oficialmente, sendo portanto injusto emitir qualquer tipo de crítica fundamentada no texto que temos nas mãos. O texto a que tivemos acesso pode ser encontrado aquí.

Resumo

O termo P2P está vinculado a um determinado tipo de tecnologia, que tem como característica permitir aos usuarios de uma rede trocar arquivos digitais entre si. A proposta do ensaio P2P and the human evolution é mostrar que o P2P é muito mais do que apenas uma tecnologia popular na Internet. Segundo o autor do texto, o P2P seria também uma nova maneira de organizar a produção dentro de uma sociedade, assim como a política e a espiritualidade. A aparição do modelo  P2P neste momento histórico seria para ele um sinal do surgimento de um novo modelo de civilização,  que ao contrário da nossa estaria motivada por outros intereses além da simples busca pelo lucro.

Partindo dessa premissa, o autor procura mostrar as transformações que a adoção do modelo P2P pode trazer em distintas áreas da atividade humana, como política, economia e religião. Essas mudanças sao observadas desde uma perspectiva histórica, que contempla a antuiguidade escravista, a modernidade capitalista e a chamada pós modernidade, entendida por ele como o período histórico posterior a 1968, caracterizada por uma forma de capitalismo centrada no valor do conhecimento. Esta perspectiva historicista lembra bastante o materialismo histórico marxista, com a substituiçao do que na doutrina marxista se chama comunismo por aquilo que o autor denomina “ethos P2P”.

Retomando a questão do determinismo tecnológico, Bauwens afirma que o surgimento do ethos p2p no momento histórico atual é consequência menos da existencia das tecnologías de intercambio de arquivos digitais do que de uma vontade de direccionar os esforços de uma clase de trabalhadores (trabalhadores do conhecimento ou “hacker class”) no sentido de construir aquilo que ele chama de “commons”. Esse conceito poderia ser equiparado ao de inteligencia coletiva, encontrado em trabalhos de outros autores que falam sobre cibercultura.

A construção desse commons acontece de forma gratuita, nao motivada por nenhum ânimo de lucro. Fora de seus horários de trabalho, os trabalhadores da chamada hacker class vão pouco a pouco construindo uma imensa biblioteca de arquivos de texto, audio e video, sem receber por isso nenhuma compensação financeira, ganhando por seu trabalho apenas prestígio social dentro de seu grupo. A base material sobre a qual trabalha essa classe  é um ambiente de extrema riqueza e abundancia de informação e conteúdo, propiciada pelo surgimento das novas tecnologías de informaç4ao e comunicação.

Em oposiçao a essa classe existe uma outra classe, que o autor denomina vetor, que se sente especialmente prejudicada pela emergencia do P2P. Esta clase vive da escassez e do controle ao acesso à informação. Ela é formada por indivíduos que mantém posições privilegiadas em nossa sociedade, capazes de exercer grande poder de pressão tanto na esfera política como na judicial. Assim, a sobrevivência do ethos P2P passa por não permitir o aumento de poder dessa classe, que tenta preservar seus privilegios por meio daquilo que Lawrence Lessing chama de guerra do copyright.

Conclusão

P2P and the human evolution é um texto que foca nas consequências sociais da emergência das novas tecnologías. Aquilo que o autor chama de  ethos P2P  pode ser comparado ao que Pierre Levy chama cibercultura. Deixando de lado as diferentes nomeclaturas, é a idéia de mudança de paradigma na produção cultural que permeia e unifica ambos os conceitos. Apesar do otimismo as vezes exagerado, que ignora por exemplo a possibilidade de alguns grupos se apropriarem da produção coletiva (commons), como agora vemos acontecer nas chamadas content farms, e de uma certa extrapolação do conceito de P2P, que leva até a “esfera cósmica”, se trata de um texto indispensável para aqueles que pretendem analizar as redes de intercâmbio de arquivos  desde um ponto de vista mais do que meramente tecnológico.

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Categories: P2P, Resumo
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