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Segundo Cisco as redes P2P perderão espaço para o streaming nos próximos anos

 

Cisco acaba de publicar suas previsões sobre o tráfico de dados na Internet para os próximos anos. Segundo o cisco visual network index se espera que o file sharing ocupe um total de 14 exabytes por mes do total de tráfico de Internet no ano 2015. Este número representa um crecimento em termos absolutos, mas também uma queda en termos relativos, de 40%  do total de tráfico para 24%. O crescimento do uso de programas P2P será maior na América latina. Na Europa se espera que o uso destes programas diminua como consequência do aumento da oferta de streaming de música e video. Mais informações no blog torrent freak.

Categories: Mundo, Notícia, P2P

A reforma da lei de copyright no Brasil

 

O intelectual property watch publicou um interesante artigo sobre a reforma da lei de copyright no Brasil. A mudança clara de direção da política brasileira para o direito autoral, que começou desde a posse da presidente Dilma, chegou ao ponto de fazer com que a nova administração ignorasse uma consulta popular sobre o tema realizada durante a gestão Lula e pedisse uma nova consulta, agora com participação restringida. Leia mais aqui.

Categories: Brasil, Copyright, Notícia

O sucesso de Kickstarter

 

Hypebot publica que el proyecto Kickstarter consiguiu arrecadar mais de 13 milhões de dólares nos  últimos dois anos, só em projetos vinculados a música. Kickstarter é, segundo seu site, “a maior plataforma de financiamento de projetos criativos do mundo”.

Esta nova forma de financiamento na web, conhecida como crowd funding, começa a ganhar importancia na Internet na medida em que surgem outros sites parecidos a kickstarter, como Slicethepie y Sellaband, por exemplo.

Apesar da posição conservadora da indústria, que insiste em lutar contra as novas tecnologias, está cada vez mais claro que é  posivel financiar a produção cultural de formas criativas e diferentes das que estavamos acostumados até agora.

Categories: Cybercultura, Mundo

Nova lei anti pirataria

 

Ha algumas semanas falamos aqui sobre o caso do site rojadirecta, que perdeu seu domínio rojadirecta.org por uma ação do governo dos Estados Unidos. Apesar disso o site continuou no ar, agora com uma URL diferente.

Isso demonstra a grande dificuldade que os governos tem para fechar o acesso a uma página web supostamente ilegal. Ou tinham.

Segundo o site torrent freak, o governos dos EUA prepara uma nova lei, conhecida por enquanto como PROTECT IP Act, que vai permitir que os proprietários de copyright tenham novos meios para fechar sites dentro do país e bloquear o acesso a páginas hospedadas em servidores internacionais, além de alterar resultados em sites de busca como o Google, impedindo assim que as páginas ilegais apereçam na pesquisa. Leia aqui o sumário da nova lei.

O futuro da Internet parece cada vez mais distante das utopias colaborativas e mais perto das distopias totalitárias.

Categories: Copyright, Mundo, Notícia

Cibercultura

 

Autor – Pierre Levy

Publicação – 1997

 

Introdução

Cibercultura, livro do sociólogo francés Pierre Levy, é um dos primeiros trabalhos sobre as novas tecnologias de informação e comunicação que destaca as mudanças sociais que essas novas tecnologías poderiam ocasionar. Assim como os meios de comunicação de massa fizeram surgir uma nova concepção de cultura, também a emergência do ciberespaço tras consigo outra idéia de cultura, diferente da anterior. Essa mudança e as posibilidades geradas por ela sao exploradas a fundo pelo autor, um entusiasta confesso da cibercultura.

 

Resumo

O livro de Levy é uma obra que trata de conceitos. Por isso mesmo acredito que a melhor maneira de abordar este texto é tentar resumir os conceitos fundamentais do libro ao invés de comentar ponto a ponto seus capítulos. No final do resumo falaremos sobre as criticas que geralmente sao feitas ao livro e a obra do autor.

O ciberespacio – Toda cultura necesita um espaço para realizar-se e a cibercultura nao foge a essa regra. Mas diferente de todas as outras culturas anteriores o espaço da cibercultura nao é um espaço geográfico ou físico, mas sim um espaço virtual chamado por Levy de ciberespacio. O ciberespacio é um lugar virtual, formado pela conexão em rede de aparelhos informáticos. Nesse espaço virtual surge uma maneira de criar e interagir diferente, denominada pelo autor de cibercultura.

Cibercultura – Os primeiros usuarios do ciberespacio eram, segundo Levy, acadêmicos da área de computação, gente que tinha participado do movimiento da contra cultura nos anos 1960. A cibercultura é para o autor uma continuação do movimiento hippie no ciberespacio. Por isso  ela se caracteriza por ser rizomática, ou seja, nao ter um centro de poder claro, o que permite que seus detratores a chamem de anárquica. É também colaborativa, já que  em teoria todos os usuário podem participar na criação e circulação do conhecimento na rede.  E está aberta a participação de todos que tenham acesso a Internet, independente de classe social ou posição geográfica.

Inteligência coletiva – O projeto da cibercultura é a interconexão geral, diz Levy. Essa interconexão geral levaria pouco a pouco à criação de um imenso arquivo diponível para todos, uma especíe de inteligência coletiva. Esse banco de dados nao teria proprietários, seria uma especíe de patrimônio da humanidade, porque feito por todos e para todos. Mas se a informação  tem dono, como no caso dos conteúdos protegidos por direito de autor, obviamente se cria um conflito. É o que vemos hoje na chamada guerra contra a pirataria, que é também uma guerra contra a tentativa de mudança no paradigma de produção de cultura e conhecimento. y cuyo objetivo es impedir la creación de una base de datos universal y abierta a todos

Dilúvio informativo – A metáfora navegar na Internet sugere uma certa liberdade que os usuários dessa rede tem para se deslocar de um lugar para outro livremente, como se estivessem em um barco na imensidão do oceano. Mas também nos faz pensar na imensa quantidade de informação disponível na rede. Levy diz que estamos todos imersos em um dilúvio informativo e que ao contrario do dilúvio bíblico nao é possível reunir uma pequena seleção e nos isolar do restante. A torrente universal de informação destruiu o centro e nos colocou a todos na mesma condição de navegantes obrigados a construir sentido em meio ao dilúvio universal.

O Universal sem totalidade – É a maneira como descreve Levy a situação em que se encontram as pessoas no ciberespacio. Adotando uma perspectiva histórica, o autor nos fala sobre como a invenção da escrita promoveu um fechameto do sentido das mensagens, uma totalização. A cultura livresca, ao contrario das culturas orais que a precederam, era universal, porque podía se movimentar tanto no tempo como no espaço. Mas era também totalizante, porque trazia consigo a uniformidade do sentido. As mensagens (livros e depois músicas ou filmes) eran produzidas por uma pequena elite e consumidas pela grande massa, de forma quase sempre passiva. A cibercultura é tambem universal, porque chega virtualmente a toda a população mundial, mas nao é totalizante, porque nela o monopólio da produção de sentido nao está restrito a uma pequena elite. Nessa nova realidade o universal, que sempre esteve identificado com o totalizante, assume a forma de universal sem totalidade.

Os críticos do trabalho de Levy apontam o excesso de otimismo como principal problema de sua obra. Argumentam que para que cheguemos a alguma coisa próxima do universal sem totalidade primeiro seria necesario alfabetizar milhões de pessoas, e depois garantir a todas elas acesso a Internet. Esse problema nao é ignorado por Levy, que a seu favor diz que os problemas técnicos e sociais que impedem que todos tenham acesso a rede serao resolvidos cedo ou tarde, e que é necesario pensar nas possibilidades que as nova tecnologias abrem antes que elas se cristalizem em uma forma ou outra.

Outro questionamento que se faz é sobre um suposto tecnicimo do autor. Da mesma forma que Mcluhan, Levy procura sempre deixar claro que em sua opinião a tecnologia condiciona, nao determina. Os usos das tecnologias são determinados pela sociedade, que ele admite, quase sempre emprega os instrumentos de uma forma totalmente distinta daquela em que os utopistas imaginavam utiliza-los.

 

Conclusão

Cibercultura é um livro que está prestes a completar 15 anos de existência. O universal sem totalidade segue sendo uma utopia, já que uma grande parte da população mundial ainda nao tem acesso a Internet. Entretanto, vimos ao longo dessa década e meia como a rede cresceu de forma exponencial, tornando-se parte da vida de bilhões de pessoas em todo o mundo. O camino rumo a universalidade da informação parece seguro, mas a tentativa de fechar o sentido e de controlar o significado por parte de alguns grupos segue sendo uma ameaça a realização da utopia imaginada pelo sociólogo francés. Cibercultura envelhece melhor que outro livros sobre o tema porque não enfatiza os aspectos meramente tecnológicos das TICs, mas sim as trasnformações sociais que esas tecnologias podem trazer, ainda que as vezes peque por um otimismo exagerado.

Categories: Cybercultura, Resumo

Declaração polêmica do diretor do instituto mexicano de propiedade intelectual

 

Segundo o site myce.com, o mexicano José Rodrigo Roque Díaz disse que lutar contra a pirataria é mais  importante que combater o tráfico de drogas.

Não se trata ainda de una declaracão oficial de uma autoridade governamental, mas a tentativa de criar unma guerra contra a pirataria nos mesmos moldes da guerra reaganista contra as drogas é uma idéia que avança claramente.

Categories: Copyright, Mundo, Notícia

Being digital

 

Autor – Nicholas Negroponte

Publicação – 1995

 

Introdução

Being digital é um livro pioneiro nos estudos sobre cultura digital e por isso continua sendo importante em qualquer bibliografía sobre cibercultura. Em 1995 nao só a Internet era ainda uma grande desconhecida do  publico em geral, especialmente fora dos EUA;  também o próprio conceito de informática pessoal era pouco difundido  se comparado aos dias de hoje. O livro do profesor do MIT Nicholas Negroponte antecipa muitas das características que a rede assumiria com o passar dos anos e também trata, ainda que rapidamente, das possiveis mudanças sociais que estas tecnologias, aliadas a massificação da informática pessoal, poderiam causar.

 

Resumo

A metáfora central do livro é aquela que descreve a mudança de uma sociedade ou economia baseada no átomo para uma baseada nos bits. É a partir dessa metáfora que Nengroponte vai costurando capitulo por capitulo seu discurso. Os bits, afirma o autor, são muito mais fáceis e baratos de manipular, copiar e distribuir que os átomos. Um jornal feito de papel tem um custo econômico e ecolôgico muito maior que uma edição do mesmo jornal num formato digital. Por isso o caminho natural em termos econômicos é o da mudança de átomos para bits. Ser digital, dizia o autor na metade dos anos 1990, nao é só ter um CD ROM e uma conexão telefônica a Internet. As transformações, dizia ele, serão muito mais profundas, chegando ao ponto de mudar radicalmente a maneira que consumimos informação, aprendemos e nos comunicamos.

Ainda que esas afirmações pareçam obvias hoje em dia a verdade é que nem todas as previsões que Negroponte faz no livro podem ser consideradas fáceis, mesmo desde um ponto de vista atual, passados quinze anos desde a publicação da primeira edição do libro. Quando fala da incrível dose de personalização que a informação poderia alcançar na era dos bits o autor quase descreve em detalhes o modelo de negócio mais bem sucedido na Internet hoje em dia, o modelo do Google.  Negroponte consegue ver com clareza algo que poderíamos chamar de lógica dos bits. Muitas empresas ponto com poderiam ter evitado a falência se seus CEOs tivessem lido e entendido o livro de Negroponte, desistido assim da idéia de tentar recriar a lógica dos átomos num território essencialmente feito de bits, com resultados obviamente mediocres.

Os problemas que as novas tecnologías criariam para os donos de direitos autorais também foram previstos por Negroponte, mas o autor nao parecia acreditar que esses problemas chegassem a ser um dos principais obstáculos para a passagem de uma cultura baseada nos átomos para uma cultura digital. Negroponte sabe que o mundo digital é o mundo do copy and paste, e que alguns conflitos podiam ocorrer quando a lógica do copy and paste afetasse os conteúdos protegidos por direitos autorais. Mas ele pensava que as mudanças na legislação de copyright tornariam a lei menos severa , uma aposta que se mostrou totalmente equivocada. Somente 3 anos depois da publicação de Being digital o congresso dos Estados Unidos aprovou o Digital Milleniun Copyright Act (DMCA), que endureceu a lei norte americana de direitos autorais.

Esse fato demonstra que apesar da precisão de suas previsões a respeito da evolução da tecnología Negroponte parece incapaz de imaginar uma Internet cujo zeitgeist nao esteja de acordo com a lógica capitalista. Como conhecedor da cultura digital Negroponte é um moderado que acredita que a indústria cultural deve entregar os anéis para não perder os dedos. A mudança parece ser o caminho natural para ele, mas nao uma mudança radical. No mundo digital que Negroponte visualiza as locadoras de video continuam sendo um negócio dominado pela Blockbuster, que já nao tem lojas físicas mas aluga videos digitais via Internet. A indústria porém demorou anos para se adaptar a nova realidade digital e nesse espaço de tempo apareceram novas formas de distribuir conteúdos, menos centralizadas e mais adaptadas a cultura digital, formas essas que nao foram antecipadas no livro de Negroponte.

Being digital nao predica a aurora de uma nova era de socialismo baseado nas novas tecnologías digitais, como fazem outros textos sobre as novas tecnologías de informação e comunicação. Ao contrário, fala das posibilidades de que o avanço tecnológico melhore e consolide ainda mais as instituiçoes e estruturas de poder com as quais estamos acostumados hoje em dia. Nesse sentido e em outros, como no uso de piadas rápidas para introducir uma idéia, o livro é bastante norte americano. As modernas tecnologias de informação e comunicação afinal foram criadas pelo império e sua finalidade é perpetuar seu poder, não desafiar a ordem estabelecida.

 

Conclusão

Being digital foi um livro que teve um impacto considerável na época em que foi publicado. Muitas de suas previsões se tornaram realidade, provando que Negroponte realmente estava adiantado a seu tempo quando conseguiu perceber o grau que o avanço tecnológico nas comunicações poderia alcançar na primeira década do novo século. Mas parece que agora que chegamos ao futuro a questão já não é tentar descubrir até onde as novas tecnologias nos vão levar, mas sim saber como essas tecnologias podem ser postas a serviço de toda a população. A impressão que fica da leitura do livro de Negroponte é que alguns dos temas mais importantes da atualidade, como a questão dos direitos autorais ou a crescente intromissão na privacidade dos cidadãos, são tratados como coisas secundárias no livro, porque de alguma maneira Negroponte não pensava que elas seriam relevantes no futuro. Creio que a intenção do autor naquele momento fosse propagar o evangelio digital e todas as outras coisas deixavam de ter importancia diante dessa missão. Talvez por isso mesmo me parece que após completar a tarefa de ser uma introdução ao mundo dos bits Being digital deixa de ter a relevância que teve no passado, se convertendo  quase que em uma curiosidade arqueológica.

Categories: Cybercultura, Resumo